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POR QUE DEUS DIZ NÃO?

Conhecer a vontade de Deus é uma das maiores buscas humanas. Alguns a procuram

pela reflexão, outros pelo sofrimento, outros ainda através de sua visão pessoal e muitos a

buscam na Revelação. Exatamente por se apresentarem tantos caminhos para chegar a um

mesmo destino é que este se tornou um tema muito controvertido e incompreendido.

O maior risco da busca pela verdade, é trocar a revelação bíblica pelas opiniões ou

interesses pessoais. Usar os próprios argumentos para definir o que é certo ou errado, o que

Deus quer e o que Ele não quer. Se pudéssemos conhecer a vontade de Deus por

argumentos, os mais habilidosos com a palavra ou com a escrita sempre teriam a posição final

sobre ela. Aliás, isso é o que está acontecendo no mundo religioso de hoje. As religiões que

mais crescem são aquelas que tem líderes e oradores carismáticos, que sabem trabalhar bem

as palavras e argumentos. Acabam convencendo as pessoas de que aquilo que falam é a

verdade, e arrastam muita gente consigo.

Muitas vezes o risco do “achismo”, a confiança na verdade baseada em opiniões

pessoais, aparece entre nós Adventistas. Muitas pessoas, seguras de sua maneira de ver as

coisas, dispensam as palavras inspiradas, colocando-as na moldura da desatualização, e

confiantes na sua própria argumentação acham que muitas coisas devem ser diferentes do que

são. Muitos destes defendem que precisamos nos tornar mais contemporâneos. Temos que

nos adaptar a uma nova época.

Em meio a toda esta discussão, uma palavrinha tem sido o centro das atenções. De

acordo com a maneira que ela é vista, pode ser definida a solução do problema. Esta

palavrinha mágica, pequena mas forte é “NÃO”. Qual deve ser a nossa posição quanto ao seu

uso? Abolir e adaptar nossos hábitos e crenças? Ou ser ainda mais criteriosos?

Vamos voltar um pouco no tempo e chegar à época de Jesus. Assim podemos entender

como Ele se relacionou com esta palavra. Segundo Paulo, Cristo veio quando havia chegado a

“plenitude dos tempos” (Gálatas 4:4). Em outras palavras, o mundo e a religião estavam tão

longe do plano de Deus, que Cristo não poderia esperar mais para consertar a situação. Se Ele

demorasse um pouco mais para vir, possivelmente os homens não teriam mais condições de

compreendê-lo. A vida religiosa precisava ser redirecionada. Cristo precisava preparar um povo

que O representasse corretamente. Precisava de um movimento que falasse a verdade ao

coração do povo.

Não é difícil notar que a realidade daquela época é muito parecida com a de hoje –

religião confusa, e um povo precisando ser alcançado com a verdade. Sendo que os contextos

são semelhantes, é importante observar como Cristo tratou o uso do “NÃO” naquela época.

Entendendo Sua postura, poderemos definir melhor a nossa.

Dentro do sermão do monte, o discurso de fundação da Igreja Cristã, e o mais

abrangente dentre os que estão relatados na Bíblia, Cristo tratou o assunto do “NÃO” (Mateus

5:21-37). É interessante notar que Ele, ao invés de anular ou diminuir, ampliou os limites

conhecidos pelo povo. Ele saiu do “NÃO” visível e foi mais longe, entrando no mundo do “NÃO”

invisível. Ele foi além do “NÃO” ato, e chegou até o “NÃO” pensamento. Ele terminou essa

seção do sermão deixando sua posição clara: “cuidado com a tentativa de encontrar um meio

termo para a verdade. Sejam suas posições SIM, SIM e NÃO, NÃO”.

A medida que estivermos mais perto da volta de Cristo, Satanás vai criar novas e sutis

maneiras de afastar o povo de Deus de Sua vontade. Por isso, mais claras e definidas devem

ser nossas posições e crenças.

Diante disso, precisamos entender claramente porque Deus diz “NÃO”. Os motivos

porque Ele apresenta Sua vontade de maneira tão objetiva e sem aberturas. Esta compreensão

vai nos ajudar a aceitar Sua vontade não como imposição, mas como proteção.

Existem pelo menos quatro motivos:

Para não brincar com o fogo

Deus sabe que muitas coisas aparentemente inofensivas escondem um grande perigo

por trás de si. Quando Ele diz “NÃO” para algumas coisas que muitas vezes achamos simples,

pequenas ou até desnecessárias, Ele sabe o que mais elas envolvem. Nem sempre

conseguimos enxergar isso. Quem brinca com fogo, corre o risco de se queimar.

Deus sabe, por exemplo, que um pouco de bebida alcoólica tem um efeito pequeno

sobre a mente e o corpo. Por que, então, ela é proibida? Por que não permitir um pouco?

Existem várias pesquisas que analisam o risco de quem bebe socialmente se tornar um

alcoólatra. A maioria delas indica que 12% vai chegar lá. Parece um percentual pequeno, mas

ele representa um sério risco. Deus conhece cada pessoa. Ele sabe que alguns só querem

brincar com a bebida, mas poderão cair mais fundo. Outros, quem sabe, podem acabar se

tornando viciados em “beber socialmente” porque não conseguem abandonar este hábito.

Deus conhece os riscos, por isso diz não.

Satanás sempre tenta uma pessoa em seu ponto fraco. Por isso, quando alguém quer

adaptar, ou fazer alguma abertura na vontade de Deus, já esta demonstrando que este é seu

ponto fraco. Sinal de perigo. A história de Eva se repete. Sempre que alguém quiser enfrentar

a tentação do seu jeito, se achando forte para lhe controlar, vai acabar muito mais envolvido do

que imaginava. Brincar com o ponto fraco, ou com o fogo, é pedir para se queimar. Me lembro

sempre de uma frase que aprendi na escola: “Pequenas oportunidades são o princípio de

grandes acontecimentos”.

Evitar limites humanos

Quando você decide criar sua própria verdade, e faz concessões, qual é o limite delas?

As explicações que sempre são ouvidas são: “Um pouco só não tem problema”, “Só vou para

ver filmes bons”, “Não vejo problemas com um anelzinho ou uma correntinha discretos”.

A pergunta, porém, continua: Até onde vai este “só um pouco”? Quais são os bons filmes

que não tem problemas? Qual é o tamanho do anelzinho, ou da correntinha discretos?

Se a verdade deixa de ser absoluta, e começam a ser feitas concessões ou aberturas,

surgem duas realidades:

1. Cada pessoa cuida de sua vida e estabelece seus próprios limites. A verdade

deixa de ser única, e passa a ser pessoal. Cada um tem a sua. Uns mais

rígidos e outros mais liberais.

2. A igreja cria regras para definir até onde vão as aberturas, e quais serão os

limites. Ai a verdade passa a ter contornos humanos. Alguém vai definir o que

será a verdade, e todos deverão segui-la. Perigo!

Não podemos correr o risco de nos tornarmos como os fariseus, com regrinhas e mais

regrinhas criadas por homens, nem tornar a religião uma questão apenas pessoal, pois assim

colocamos o homem no lugar de Deus.

Por isso, Deus diz não. A verdade absoluta é mais segura.

Evitar confundir um cristão

Somos a única demonstração da vontade de Deus aqui na terra. As pessoas precisam

conhecer a Deus olhando para nós. Somos Suas testemunhas. Se não formos exemplos

claros, o cristianismo perde sua força.

Se no trabalho um jovem Adventista é exatamente igual a todos os outros colegas, que

diferença faz ser cristão? Poderá ser reconhecido? Se no Sábado a noite uma garota sai, e sua

aparência é igual a das outras que não tem nenhum interesse na vontade de Deus, como Ele

pode ser reconhecido nela? Se um garoto está em uma mesa de bar, com uma latinha de

cerveja na mão, junto com seus a

migos, será possível identifica-lo com um cristão?

É preciso sempre lembrar que a transformação operada por Cristo nos torna

testemunhas silenciosas. Os outros podem ver Cristo em nós pela maneira como nos

apresentamos. Deus não pode correr o risco de fazer concessões para nos parecermos com

as pessoas que não se entregaram a Ele, pois somos as únicas testemunhas dEle neste

mundo. Estas testemunhas precisam estar cada dia mais visíveis e fáceis de reconhecer.

Para vencer as sutis tentações de satanás

Quanto mais perto do fim, mais discretas e sutis serão as tentações de Satanás.

Precisamos ser claros e definidos, quanto à verdade, para que ele não tenha espaço. Quando o

“NÃO” é substituído pelo “mais ou menos” , ou “um pouco não tem problema”, ou mesmo “não

vejo mal nenhum”, fica difícil reconhecer o caminho de Deus, e satanás se aproveita.

Quanto menos relativismo, adaptações ou “achismos” houver na verdade, mais eficiente

e poderosa ela será.

 

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