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ABENÇOOU E SANTIFICOU

Havia certa vez um inteligente e consagrado brasileiro que tinha uma banca de laranjas no mercado de uma pequena cidade. Suas laranjas eram as melhores do mercado e seu preço estava sempre um pouco abaixo do que nas demais bancas. Possuía muitos clientes, incluindo o padre da igreja católica próxima ao mercado. Fechava sua banca na metade da tarde de cada Sexta-feira e a mantinha fechada todos os sábados. O sacerdote o visitava com freqüência e conversavam, mesmo que brevemente, como dois grandes amigos. Um dia chegou à sua banca, de muito bom ânimo, e retomou o tema da constante conversação.

 

– José – disse-lhe, em tom de confiança, procurando falar com certa intimidade; – você perde dinheiro a cada sábado. Somos muitos os que compraríamos de você neste dia. Você é um homem bom e suas laranjas são excelentes. Não é justo que seja prejudicado. Depois de tudo, Deus vai salvá-lo de qualquer maneira.

 

– Muito obrigado, padre – disse-lhe ele no mesmo tom, e procurando abrir-lhe o coração, como um verdadeiro membro de sua paróquia, que confiasse plenamente nele. – Mas não creio que eu esteja perdendo dinheiro algum. O senhor não compra no sábado, porém cada sexta-feira leva tudo o que precisa para o final de semana. O mesmo ocorre com os outros.

 

– De qualquer forma – disse o sacerdote – não há diferença entre um dia e outro. Todos os dias da semana são iguais. Têm as mesmas horas, têm uma parte do dia e outra da noite, não há nada que distinga um dia do outro. Olhe – acrescentou com certo repentino entusiasmo, como se houvesse descoberto o argumento incontestável. Com segurança, porém com cuidado, escolheu sete laranjas de tamanho grande. Todas iguais. Parecia que um torno as houvesse formado com a mesma medida. – Olhe – repetiu, mostrando-lhe o conjunto, com verdadeira convicção do resultado, e as colocou em fila, uma atrás da outra – esta é o primeiro dia, a que vem depois é o segundo. – E assim, sucessivamente, deu a cada laranja o nome de um dia da semana. Depois, misturou-as todas e disse: – Diga-me, José, qual é o sétimo dia?

 

– Faça novamente, padre – disse-lhe com calma – não prestei atenção. O sacerdote fez a fila e repetiu os nomes… esta é o sétimo dia, e terminou.

 

O vendedor, rapidamente, antes que o sacerdote as misturasse, retirou a laranja que representava o sábado, e tomando uma faca, tirou um pedaço da casca e disse: – E Deus abençoou o sétimo dia – e tirando outro pedaço de casca em sentido contrário, acrescentou: – E o santificou. Agora, padre, misture-as como quiser, eu sempre saberei qual é o sétimo dia.

 

 

 

Pense nisso…

 

 

Cícero Cavalcante

 

Central de Diretores JA

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