Aboliu Jesus a Lei?
“… aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz,” (Efésios 2:15 RA) .
A lei dos mandamentos mencionada neste verso não se refere à Lei dos Dez Mandamentos, refere-se sim a lei cerimonial.
A Lei cerimonial chegou ao seu final na cruz. Mas deve ser salientado que as Leis Cerimoniais (as leis específicas para o povo Judeu) como dadas por Deus, não criaram a inimizade entre Judeus e Gentios. Foi a interpretação que os Judeus deram a ela, as adições e a atitude de exclusivismo e hostilidade que geraram a hostilidade entre Judeus e Gentios.
Os Judeus abominavam e detestavam seus vizinhos gentios, e os gentios por sua vez, odiavam e desprezavam seus vizinhos Judeus.
Quando os Judeus rejeitaram a Cristo o status de representantes oficiais da verdadeira religião lhes foi tirado e dado à igreja Cristã.
“Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos”. (Mateus 21:43 RA)
Após a crucifixão não foi mais necessário que um filho de Deus tomasse parte nos rituais do Judaísmo. (Ver Gálatas 2:16)
“… sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado”. (Gálatas 2:16 RA).
A princípio a distinção entre Judaísmo e Cristianismo não foi claramente compreendida. Muitos conversos Judeus criam que o Cristianismo era apenas o Judaísmo acrescido da fé em Cristo como o Messias. Eles sustentavam a idéia de que os Cristãos deveriam ser circuncidados e obedecer ao sistema legal judaico em adição à sua aceitação de Jesus. O Concílio de Jerusalém foi convocado para resolver essa questão (Atos 15). O Concílio posicionou-se contra as exigências desses homens. Em sua carta aos Gálatas Paulo procurou deixar claro a essas pessoas que o sistema Judaico, a partir de Cristo havia se tornado obsoleto.
Mas o final do Judaísmo, com suas formas e cerimônias religiosas, não significou a abolição de todas as leis que Deus havia dado para os Judeus. A lei cerimonial que apontava para Cristo (o oferecimento de cordeirinhos, as Festas Anuais, etc) naturalmente chegou ao seu final quando Cristo cumpriu os tipos prefigurados por estas cerimônias. A Lei Civil dos Judeus (Impostos, Serviço Militar obrigatório, sistema político, sistema jurídico, etc) já tinha em grande medida desaparecido quando eles perderam a soberania nacional. Mas os preceitos morais, os quais são um transcrito do caráter de Deus, estes são tão eternos quanto o próprio Deus e nunca podem ser abolidos .
Em todos os seus ensinos a respeito do fim do sistema legal Judaico, Paulo tornou enfaticamente claro que a lei moral não havia sido abolida.
“Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei”. (Romanos 3:31).
Falando à respeito do fim da circuncisão, Paulo foi muito cuidadoso ao acrescentar:
“A circuncisão, em si, não é nada; a incircuncisão também nada é, mas o que vale é guardar as ordenanças [os mandamentos] de Deus”. (1 Coríntios 7:19 RA).
Em resumo podemos dizer que Efésios 2:15 salienta que Jesus aboliu as ordenanças específicas para o povo Judeu. Tirando essa exclusividade do povo Judeu Jesus acabou por unir Judeus e Gentios. Todos nos aproximamos de Deus e somos salvos da mesma maneira – pela fé. Todos evidenciamos. Termos sido salvos por Cristo da mesma maneira – pela obediência aos Dez Mandamentos. A Lei moral permanece, pois é eterna como o próprio Deus.
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