SUBA A MONTANHA
Meu pai viveu quarenta anos nas montanhas do meu país, o Perú. Ele passava cinco dias por semana enterrado, embaixo da terra, trabalhando nas minas. Sábado e domingo saía. Seu “hobby” quando estava sozinho, era subir as montanhas. Ele não era um alpinista. Ele não tinha corda, nem equipamento necessário, mas gostava de subir montanhas.
Há uma montanha, lá onde meu pai morava, chamada Puipui, uma montanha de mais ou menos seis mil metros acima do nível do mar. Ele sonhava conquistar aquela montanha. Ele queria subir e colocar uma bandeira no topo quando chegasse lá. Meu pai, quando nós éramos pequenos, gostava de mostrar as montanhas e dizer: “Eu plantei uma bandeira naquela montanha. Plantei outra naquela lá.” E ia apontando suas conquistas na cadeia de montanhas que existia na região das minas onde ele trabalhava. Mas ele nunca conseguiu subir a montanha de Puipui. Eu devia ter quatorze anos e meu irmão dezessete quando ele disse: “Desta vez eu vou subir o Puipui e vou com vocês.” Saímos às quatro da manhã, andamos, andamos, andamos, andamos até que começamos subir a montanha. À medida que subíamos, meu irmão e eu víamos o cansaço do meu pai. Meu pai casou muito tarde, com cinqüenta anos. Quando eu tinha quatorze e meu irmão dezessete, ele já tinha bastante idade. Nós podíamos perceber o cansaço nos olhos, no corpo, no rosto do meu pai, mas continuávamos subindo, subindo. Nós resistíamos, mas sentíamos que ele estava perdendo o fôlego. De repente meu pai parou. Faltavam uns cinqüenta a sessenta metros para chegarmos ao topo da montanha, mas ele se deitou cansado perto de uma rocha e disse: “Filhos, eu não posso mais! Não posso mais!” Meu irmão mais velho, tentando encorajá-lo, disse: “Pai, descanse. Descanse o tempo que quiser, mas você vai chegar com a gente lá em cima.” E ele respondeu: “Não filhos, eu não posso mais.” Meu irmão insistiu: “Mas pai, você sempre sonhou chegar no topo de Puipui, e faltam só cinqüenta metros! A gente espera. Nós não vamos sem você.” E ele disse uma coisa que nunca vou esquecer: “Continuem. Cheguem vocês. Eu vou ficar olhando. Cheguem lá e coloquem a bandeira. Porque se vocês o fizerem, será como se eu estivesse fazendo. Eu conquistei muitas montanhas, mas desta vez cheguei até aqui e não posso mais. Mas vocês são a prolongação da minha vida, vocês são a minha vida. Vocês chegarão lá, eu não posso mais.”
Meu querido jovem, olhe para seus pais, eles subiram e conquistaram montanhas nas diferentes áreas de trabalho que eles têm. Talvez não cheguem ao topo da última montanha. É por isso que sempre há um brilho especial nos olhos deles quando olham para você, porque você é a prolongação da vida deles. É como se dissessem: “Filho, eu cheguei até aqui, não posso mais, mas você, plante a bandeira, conquiste a montanha. Não se conforme só com esta. Olhe outra, outra e outra. Eu fiz o que pude e cheguei até aqui, mas você pode chegar muito mais longe. Vá em frente, meu filho.”
Você, porém, nunca chegará lá escolhendo o caminho mais fácil, ou pensando que porque o mundo está de cabeça para baixo, o melhor é se entregar ao abandono. Todo mundo está errado? Então mude o mundo! As coisas estão de cabeça para baixo? Coloque as coisas em ordem. Todo mundo é medíocre, hipócrita? Seja você autêntico. Olhe a montanha. Conquiste as alturas. Nós, os mais velhos, fizemos o que pudemos, chegamos até aqui.
Chego ao fim desta mensagem, falando de alguém que passou uma noite em oração e lágrimas porque na manhã seguinte, tinha que subir a montanha e tinha medo. Ah, querido, se você subir a montanha, não será fácil, e não será porque em algum momento da vida você não experimentou o medo. O Senhor Jesus passou uma noite inteira em oração e lágrimas, porque na manhã seguinte tinha que subir a montanha. Não era fácil. Na Sua humanidade, chegou um momento a cair de joelhos e dizer: “…Pai …passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e, sim, o que tu queres.” Marcos 14:36
Tenho medo de subir a montanha… E sabem por que? Subir a montanha para Ele, significava sangue; o deboche de todo mundo; uma coroa de espinhos, mãos e pés cravados numa cruz miserável. Não é fácil subir a montanha! Mas sabe, lá em cima da montanha iria pagar o preço de nossa salvação e nós somos tão importantes para Ele, nós valemos tanto para Ele que embora a montanha significasse suor, sangue, desprezo, deboche, Ele esteve disposto a subir a montanha e a subiu para morrer como um marginal.
Sabe? Você não tem o direito de pensar que não vale nada; que está muito longe de Deus e não pode voltar; que você desceu tanto que não pode sair; que você está tão amarrado a este mundo que Deus deixou de amar você. Jesus subiu a montanha e pagou o preço. Ele não teria feito isso se você não valesse; se não houvesse esperança para você; se não tivesse acreditado em você. “Foi por você também que Jesus mostrou amor. Padeceu sem merecer e sofreu até morrer, foi por você também que Jesus mostrou amor.”
Deixe a planície, deixe o vale da mediocridade. Olhe para as montanhas. Suba e pague o preço, derrame sangue e derrame suor. E mesmo que o mundo faça pouco de você, pague o preço. Porque o preço maior já foi pago por Jesus na cruz do Calvário, por você.
ORAÇÃO
Suplicamos, querido Pai, uma bênção especial para cada jovem que decidiu subir a montanha. Que sejam capazes de olhar para cima. Se no meio da subida sentirem-se cansados, desanimados, tristes e feridos que olhem para o topo da montanha do Calvário e vejam o Senhor Jesus pregado. Que vejam o Senhor Jesus com os braços abertos chamando e mostrando que o preço da sua salvação já está pago. Que vejam que o êxito da subida já está garantido e que eles só têm que acreditar, só tem que subir em Teu nome e continuar crescendo, crescendo, porque nossa vida na eternidade continuará sendo uma vida de crescimento constante. Em nome de Jesus, Amém
SUBA A MONTANHA
PR. ALEJANDRO BULLÓN
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